O apagão provocado pelos temporais da última sexta-feira (11) em São Paulo, que ainda não foi completamente solucionado até esta segunda-feira (14), reacendeu o embate entre o governo Lula e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, acusa a agência de inação nas investigações contra a Enel, responsável pela distribuição de energia no estado, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, exige medidas mais duras contra a concessionária, como uma possível intervenção.
A situação ganhou contornos políticos ainda mais acirrados com a proximidade do segundo turno das eleições para a prefeitura de São Paulo. O candidato Guilherme Boulos (PSOL) tem utilizado o apagão para criticar a gestão do atual prefeito e candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB), que, por sua vez, responsabiliza a Enel pelos problemas na cidade. O apagão já dura dias e tem causado prejuízos significativos aos comerciantes da capital.
Conflito entre governo e Aneel
O ministro Alexandre Silveira apontou a Aneel como a principal responsável por não avançar com as investigações solicitadas contra a Enel após os apagões de novembro de 2023. Segundo Silveira, a agência está "infiltrada por bolsonaristas", que teriam freado o processo de caducidade da concessão da Enel, válida até 2028.
O governador Tarcísio de Freitas também se mostrou insatisfeito com a atuação da Aneel e do governo federal, e defendeu uma intervenção direta na concessionária, alegando que a empresa falhou em apresentar um plano eficaz de contingência após o novo apagão.
Eleições municipais em foco
Com o segundo turno das eleições para prefeito em andamento, o apagão tornou-se um dos principais temas de debate entre Guilherme Boulos e Ricardo Nunes. Boulos tem capitalizado a situação, aparecendo em vídeos denunciando a falta de energia em sua residência e visitando moradores afetados pela crise. Ele afirma que a responsabilidade recai diretamente sobre o prefeito.
Nunes, por outro lado, se defende culpando a Enel pela falta de investimento e falhas no cumprimento de metas, como a poda de árvores, que teria evitado a queda de energia em várias regiões. O embate entre os candidatos deve intensificar-se nos próximos dias, à medida que a crise energética persiste e impacta o cotidiano da população paulistana.
