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Terça-feira, 27 de Outubro 2026
Saúde

Câncer infantojuvenil: identificação precoce é fundamental para um bom prognóstico

Cerca de 80% dos pacientes podem ser curados quando o câncer é identificado precocemente, segundo o Inca. Saiba mais. The post Câncer infantojuvenil: identificação precoce é fundamental para um bom prognóstico first appeared on Portal Drauzio Varella.

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Câncer infantojuvenil: identificação precoce é fundamental para um bom prognóstico
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O Brasil deve registar 7.560 mil novos casos de câncer em crianças e adolescentes por ano entre 2026 e 2028, sendo 52,4% em meninos e 47,6% meninas. As estimativas são do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

O câncer já é a principal causa de morte por doença na população de 1 a 19 anos. Porém, ainda segundo o Inca, 80% dos pacientes podem ser curados quando a doença é diagnosticada precocemente e tratada em centros especializados. 

 

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Sinais de alerta e a importância da detecção rápida

“Os sintomas [do câncer infantil] muitas vezes são inespecíficos e podem ser confundidos com problemas comuns da infância”, afirma Mariana Bohns Michalowski, oncologista pediátrica e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope).

Cansaço e palidez persistentes, manchas roxas sem motivo aparente, dores que não melhoram, aumento de gânglios, perda de peso, inchaços, alterações neurológicas, vômitos persistentes e dores de cabeça frequentes estão entre os sinais que merecem avaliação médica. 

A especialista ressalta que a presença desses sintomas não significa que a criança e o adolescente tenham câncer, mas a persistência deles deve motivar a investigação.

Ainda de acordo com a médica, embora essas doenças não possam ser prevenidas por meio de mudanças de hábitos ou de programas de rastreamento populacional, o reconhecimento precoce dos sinais e dos sintomas, aliado a uma avaliação clínica adequada e ao encaminhamento ágil para serviços especializados, é fundamental para aumentar as chances de sucesso no tratamento.

 

Tumores mais comuns na infância e adolescência

“O câncer infantojuvenil possui características biológicas bastante distintas do câncer em adultos. A distribuição dos tipos tumorais varia significativamente conforme o desenvolvimento biológico da criança e do adolescente”, afirma Michalowski.

Veja abaixo os cânceres mais frequentes de acordo com a faixa etária.

Primeira infância (0 a 4 anos):

  • leucemias: correspondem à neoplasia mais frequente nessa fase, com amplo predomínio da leucemia linfoide aguda (LLA);
  • tumores embrionários, como: neuroblastoma (que atinge o sistema nervoso simpático), tumor de Wilms (rins), retinoblastoma (olhos), hepatoblastoma (fígado) e meduloblastoma (sistema nervoso central).

 

Crianças maiores e adolescentes (5 a 19 anos):

  • linfomas: apresentam aumento acentuado de incidência nessa fase, especialmente o linfoma de Hodgkin (muito característico da adolescência e do início da idade adulta) e os linfomas não-Hodgkin;
  • sarcomas ósseos e de partes moles: o osteossarcoma e o sarcoma de Ewing surgem predominantemente nessa faixa etária, com frequência associados às fases de estirão de crescimento;
  • tumores do sistema nervoso central: continuam representativos, variando em tipo histológico (como gliomas de alto e baixo grau);
  • tumores epiteliais e de células germinativas: neoplasias de padrão mais adulto, como o carcinoma de tireoide, melanomas e tumores gonadais (que se originam nas gônadas, as glândulas sexuais — testículos e ovários). 

Veja também: Chega ao SUS novo medicamento para o câncer mais comum entre crianças

 

Particularidades do tratamento do câncer infantojuvenil

“Embora utilize as mesmas modalidades terapêuticas do câncer em adultos — quimioterapia, cirurgia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo —, o tratamento infantojuvenil não consiste em aplicar protocolos de adultos em doses reduzidas. Trata-se de uma especialidade médica com abordagens biológicas e assistenciais próprias”, esclarece Michalowski.

Os cânceres infantis têm alta taxa de resposta e cura. Eles são predominantemente de crescimento rápido, derivados de células embrionárias ou imaturas. Segundo a especialista, essa característica os torna altamente sensíveis à quimioterapia. “Quando tratados em centros especializados de oncologia pediátrica, as taxas globais de cura ultrapassam 80%”, destaca. 

Outra questão que deve ser levada em conta é que, diferentemente dos adultos, crianças e adolescentes estão em processo contínuo de desenvolvimento físico, cognitivo, endócrino e reprodutivo. 

“Por isso, o uso da radioterapia é extremamente criterioso em crianças muito jovens, devido ao risco de sequelas no desenvolvimento ósseo e cognitivo. E os esquemas quimioterápicos são desenhados para mitigar a toxicidade de longo prazo (cardiotoxicidade, infertilidade e risco de segundos tumores)”, explica. 

Além disso, o atendimento deve ser multidisciplinar e especializado. A médica ressalta que o sucesso terapêutico depende da atuação integrada de diversos profissionais, como oncologistas pediátricos, cirurgiões pediátricos, intensivistas, enfermeiros especializados, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e pedagogos.

Por fim, é preciso pensar no seguimento tardio. “Dado o elevado número de sobreviventes, o cuidado se estende por décadas após o término do tratamento, monitorando a saúde cardiovascular, hormonal, funcional e psicológica desses indivíduos ao longo da vida adulta”, afirma. 

 

Como apoiar crianças e adolescentes em tratamento oncológico

O diagnóstico de um câncer na infância ou adolescência desestrutura todo o núcleo familiar. Segundo Michalowski, a atuação dos pais e cuidadores exige um equilíbrio entre o suporte oferecido ao paciente e a preservação da própria saúde mental.

A primeira recomendação é ter uma comunicação aberta e adequada à idade. “Crianças e adolescentes percebem alterações no ambiente e na rotina. A comunicação deve ser honesta, com linguagem clara e adaptada ao nível de maturidade do paciente, esclarecendo o que é a doença, as etapas do tratamento e os motivos de eventuais isolamentos ou internações”, orienta a médica.

Também é importante preservar a rotina e a identidade da criança: o diagnóstico não deve anular a infância ou a juventude. “Manter regras básicas de convivência, momentos de lazer, contato seguro com amigos e acompanhamento pedagógico hospitalar/domiciliar ajuda a manter o senso de normalidade e controle”, completa.

Outro ponto de atenção é o cuidado com o cuidador. Para a oncologista, cuidadores fatigados ou emocionalmente exaustos têm menor capacidade de oferecer sustentação afetiva. Por isso, ela recomenda:  

  • delegar tarefas práticas (como compras, alimentação, cuidados com irmãos) para parentes e redes de apoio;
  • estabelecer um sistema de revezamento no acompanhamento hospitalar;
  • buscar acompanhamento psicológico individual ou participar de grupos de apoio com outros pais vivenciando realidades semelhantes;
  • preservar momentos mínimos de descanso e nutrição adequada sem sentimentos de culpa.

 Veja também: Crianças curadas da leucemia precisam se revacinar, alerta estudo brasileiro

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FONTE/CRÉDITOS: Maiara Ribeiro

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