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Quarta-feira, 28 de Outubro 2026
Saúde

Detecção do câncer de mama ainda precisa avançar no Brasil

O câncer de mama é mais frequente entre as brasileiras, e a detecção precoce aumenta muito as chances de cura. Saiba mais. The post Detecção do câncer de mama ainda precisa avançar no Brasil first appeared on Portal Drauzio Varella.

Portal MAM News
Por Portal MAM News
Detecção do câncer de mama ainda precisa avançar no Brasil
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O câncer de mama é o tipo mais frequente entre as brasileiras, excluindo-se o câncer de pele não melanoma, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Embora a detecção precoce seja fundamental para aumentar as chances de cura da doença, nem todas as mulheres têm acesso aos exames de rastreamento. 

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de uma taxa de cobertura mamográfica de 70%, entre mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos. No Brasil, a cobertura foi de apenas 23,7%, muito abaixo da orientação da OMS. Os dados são do Panorama do Câncer de Mama 2025, feito pelo Instituto Natura em parceria com o Observatório de Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer.

Isso impede que milhões de mulheres tenham acesso ao tratamento ainda nas fases iniciais da doença, quando ela não provoca sintomas e suas chances de cura são mais altas.

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Acesso desigual

Segundo dados do Panorama do Câncer de Mama 2025, entre 2023 e 2024 somente 41,7% das mamografias de rastreamento realizadas pelo SUS foram feitas por mulheres negras. Entre as mulheres amarelas, a participação foi de 11,5%; entre as indígenas, apenas 0,1%; e entre as brancas, 46,8%.

Entre 2015 e 2024, foram notificados quase meio milhão de novos casos da doença no SUS. As faixas etárias que concentram mais diagnóstico foram as mulheres de 50 a 59 anos (26,5%) e 60 a 69 anos (24,9%). Chama a atenção, contudo, o número de casos registrados entre as mulheres mais jovens, de 30 a 49 anos (31,4%).

 

Atraso no início do tratamento

Embora a legislação determine o início do tratamento em até 60 dias após o diagnóstico, o intervalo chegou a 214 dias em 2023. Nesse ano, o país registrou 20.339 mortes por câncer de mama, o maior número da série histórica.

Depois da realização da mamografia, a jornada inclui a entrega do laudo, biópsia, confirmação diagnóstica e início do tratamento. Se uma dessas fases falha, o benefício da detecção precoce se perde. Portanto, é necessária uma política nacional que integre todas as etapas do cuidado, para que a detecção precoce leve ao início rápido do tratamento.

 

Dificuldades

O problema começa antes mesmo da mamografia. Segundo o Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama 2025, realizado pelo Instituto Natura e Avon, apenas 29% das brasileiras têm conhecimento suficiente sobre os fatores de risco, sintomas, exames e direitos relacionados à doença.

Entre as mulheres pardas e negras, apenas 28% têm níveis “alto” ou “muito alto” de conscientização sobre a doença, enquanto entre as brancas o número chega a 34% – a média total é de 29%. 

Entre as mulheres que utilizam o SUS, somente 1 a cada 10 mulheres sabe dizer a idade certa para começar a realizar a mamografia. Já entre as que têm planos de saúde, a taxa é de 4 a cada 10 mulheres.

 

Avanços e dificuldades

De 2019 para cá, o Brasil ampliou o acesso à mamografia, estabeleceu prazos legais para a confirmação do diagnóstico e início do tratamento, mas ainda assim, o cuidado ainda não chega a todas.

Em 2025, o Ministério da Saúde passou a garantir o acesso à mamografia pelo SUS também para mulheres de 40 a 49 anos, mediante decisão compartilhada com o profissional de saúde, o que vai ao encontro das recomendações das principais sociedades médicas nacionais e internacionais.

As mulheres nessa faixa etária representam quase ¼ de todos os casos da doença registrados no país. No entanto, ampliar a indicação ao exame não garante que todas as mulheres terão acesso a ele.

Em 2024, o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias, das quais 4 milhões foram exames de rastreamento em pacientes sem sintomas. O número parece alto, mas representa apenas uma fração das mulheres que deveriam ter tido acesso ao exame.

 

Autoexame não é rastreamento

Embora o autoexame seja importante para que a mulher conheça seu corpo e, assim, possa detectar alterações na mama, quando isso acontece em geral a doença já está em estágio avançado.

Dessa forma, ao contrário do que se pensava algumas décadas atrás, o autoexame não garante a detecção precoce do câncer de mama, que costuma ser assintomático nas fases iniciais.

O exame indicado para o rastreamento da doença é a mamografia, que deve ser realizada dos 40 aos 74 anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e diversas sociedades americanas.

De acordo com o Inca e o Ministério da Saúde, o rastreamento deve ser realizado:

  • 40 a 49 anos: sob demanda (compartilhado ou por indicação médica / vontade da paciente);
  • 50 a 74 anos: recomendado a cada 2 anos (bienal);
  • Acima de 74 anos: Decisão individualizada, considerando as condições de saúde e a expectativa de vida.

A paciente deve conversar com seu médico para analisar histórico pessoal e familiar e avaliar a necessidade de fazer mais exames.

Veja também: 20% das mulheres acima dos 40 anos não fazem exames médicos nas mamas

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FONTE/CRÉDITOS: Drauzio Varella

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