Lembra do Galloper? O SUV vendido no Brasil nos anos 1990 era um Mitsubishi Pajero de primeira geração fabricado pela Hyundai na Coreia do Sul, parte de um acordo para ajudar a fabricante sul-coreana. O acordo entre as duas fabricantes acabou em 1999, quando a Hyundai começou a lançar carros desenvolvidos internamente, acabando com a Galloper. Mas ela vai voltar.
Se a Fiat Titano é uma picape que nasceu na China, em uma parceria da Peugeot com a Changan, e que hoje usa um motor de origem Fiat, uma marca espanhola fará algo ainda mais confuso: a Galloper venderá uma picape da chinesa Dongfeng, baseada na Nissan Frontier e com motor da Mitsubishi.
Essa confusão de origens faz parte da própria Galloper. A marca foi criada pela Mitsubishi na Espanha em 1998, com a missão de ajudar a Hyundai, que na época produzia a primeira geração do Pajero para a Coreia do Sul com o nome Galloper. A divisão espanhola da Mit percebeu que existia uma importação independente do Pajero antigo e criou uma marca separada só para vender o SUV. O acordo entre as duas fabricantes acabou em 1999, quando a Hyundai começou a lançar carros desenvolvidos internamente e encerrou a produção do Galloper.
<span class="hidden">–</span>Galloper/Divulgação
Ainda nos anos 1990, a divisão espanhola da Mitsubishi percebeu que existia uma importação independente do Pajero antigo e criou uma marca separada só para vender o Galloper. Quando ele saiu de linha na Coreia do Sul, ainda conseguiram convencer a Mitsubishi a manter uma produção de baixa escala do Pajero. A Hyundai permitiu que a Mitsubishi utilizasse o nome na Espanha e, depois, a Mit adotou o batismo como um batismo alternativo para o Pajero em outros mercados. A operação acabou em 2005, desaparecendo por 20 anos.
Agora a Galloper oficializa seu retorno ao mercado espanhol para outubro de 2026, apostando em um nicho cada vez mais escasso na Europa: utilitários com tração 4×4 tradicional e preço mais baixo. A aposta será em dois modelos, um SUV e uma picape, desenvolvidos pela chinesa Dongfeng Zhengzhou. Na prática, a arquitetura deriva das plataformas de Nissan Paladin e Navara — picape vendida no Brasil como Frontier.
–
<span class="hidden">–</span>Galloper/Divulgação
A opção por arquiteturas veteranas reduz custos de desenvolvimento e ferramental. Isso permite oferecer tração nas quatro rodas por valores abaixo da média do mercado, embora os preços oficiais ainda não tenham sido divulgados pela importadora responsável pela operação na Espanha.
Debaixo do capô, os utilitários dispensam eletrificação e adotam motor 2.0 turbo a gasolina de origem Mitsubishi. O propulsor entrega 220 cv e a transmissão é automática de 8 marchas, fornecida pela ZF, com calibração voltada para equilibrar torque em baixas rotações e conforto rodoviário.
O conjunto foca na capacidade fora de estrada. O sistema de tração 4×4 fornecido pela BorgWarner inclui caixa redutora, além de bloqueio do diferencial traseiro. A desvantagem da concepção mecânica com motor a gasolina sobre chassi pesado será o consumo de combustível, que tende a ser elevado.
<span class="hidden">–</span>Galloper/Divulgação
Para amenizar o custo de rodagem e cumprir as normas de emissões europeias, a empresa projeta uma conversão de fábrica para gás GLP. O sistema reduz o custo por quilômetro e garante o selo ambiental exigido na Espanha para circulação em zonas de restrição de emissões nos grandes centros.
Cadastro efetuado com sucesso!
Você receberá nossa newsletter todas as quintas-feiras pela manhã.
A operação comercial começa com 35 concessionárias e prevê expansão para 60 pontos até o início de 2027. Para assegurar o pós-venda, um centro de distribuição de peças já opera em Barcelona. Os nomes definitivos dos modelos serão anunciados em setembro, inspirados em cadeias montanhosas espanholas, antes do início das entregas.
