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Terça-feira, 15 de Setembro 2026
Saúde

Psiquiatria não é só cérebro: como a saúde física interfere no tratamento de transtornos mentais

Atividade física, sono, alimentação e cuidados com a saúde física também influenciam o tratamento e o prognóstico dos transtornos mentais. The post Psiquiatria não é só cérebro: como a saúde física interfere no tratamento de transtornos mentais first appeared on Portal Drauzio Varella.

Portal MAM News
Por Portal MAM News
Psiquiatria não é só cérebro: como a saúde física interfere no tratamento de transtornos mentais
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O tratamento de um transtorno psiquiátrico não se resume ao controle dos sintomas. Saúde física e mental estão relacionadas, e condições como obesidade, diabetes, alterações no colesterol e pressão alta também precisam ser consideradas no acompanhamento desses pacientes.

Essa relação acontece nos dois sentidos. Pessoas com doenças cardiovasculares, metabólicas e obesidade grave apresentam maior risco de desenvolver depressão, ansiedade e alterações cognitivas. Ao mesmo tempo, pessoas com transtornos mentais graves têm maior risco de desenvolver essas condições clínicas.

“Um paciente com transtorno mental grave nem sempre consegue cuidar da parte clínica de forma adequada. Por isso, quando conseguimos associar o tratamento psiquiátrico ao cuidado com a saúde física, o prognóstico é melhor”, explica Gabriel Okuda, psiquiatra do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo (SP). 

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A relação entre saúde mental e física esteve entre os temas discutidos no Congress on Brain, Behavior and Emotions 2026, realizado em junho, em Porto Alegre (RS).

 

Bons hábitos também fazem parte do tratamento

A atividade física é considerada uma estratégia não farmacológica para quadros como depressão e ansiedade. “Quando a gente vai tratar o paciente, nunca pensamos só em medicação ou só em terapia. A gente junta tudo isso”, afirma o especialista.  

Além de integrar o tratamento, manter o corpo ativo é uma forma de cuidar da saúde mental no dia a dia. E isso não exige necessariamente mudanças complexas na rotina: caminhar ao ar livre, trocar pequenos trajetos de carro pelo deslocamento a pé quando possível, fazer pausas para se movimentar ao longo do dia e aproveitar espaços públicos para atividades físicas são formas acessíveis de incorporar movimento ao cotidiano. A escolha deve considerar as condições de saúde e as possibilidades de cada pessoa.

O sono é outro elemento que merece atenção por sua relação bidirecional com a saúde mental. Quadros depressivos e ansiosos podem estar associados à insônia, enquanto noites mal dormidas podem aumentar a vulnerabilidade a esses sintomas.

“Se a gente não melhora a qualidade de sono do paciente, muitas vezes ele não melhora os sintomas depressivos e ansiosos ou pode até causar a piora dos sintomas de humor”, destaca Okuda.

A alimentação é outro aspecto citado pelo psiquiatra. Segundo ele, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e evitar o excesso de cafeína e álcool são medidas que podem contribuir para a saúde mental.

Os vínculos sociais também têm papel importante. O isolamento e a solidão estão associados a maior risco de desenvolver depressão e ansiedade. Manter tempo de qualidade com familiares e amigos, inclusive de forma presencial, pode fazer parte tanto da prevenção quanto do tratamento.

Veja também: Como os exercícios físicos ajudam na saúde mental?

 

O cuidado com o corpo influencia na longevidade

Para quem convive com um transtorno psiquiátrico por décadas, esses fatores ganham ainda mais importância. Pessoas com esquizofrenia, transtorno bipolar e depressões mais graves podem apresentar uma expectativa de vida entre 10 e 20 anos menor do que a população geral, segundo o especialista. 

Ele explica que parte dessa diferença está relacionada à dificuldade de alguns pacientes em acompanhar adequadamente a própria saúde, o que pode contribuir para uma morte precoce. Por outro lado, a adoção de hábitos saudáveis pode ter impacto positivo na trajetória desses pacientes. 

“Fazer atividade física, se alimentar melhor, ter um acompanhamento médico adequado, dormir melhor e diminuir o uso de substâncias, como álcool e cigarro, ajuda na qualidade de vida, no envelhecimento e melhora o prognóstico dos quadros psiquiátricos”, afirma Okuda.

Em resumo, o prognóstico não depende apenas da resposta aos sintomas psiquiátricos. Considerar as condições clínicas e a saúde de forma integrada permite acompanhar o paciente para além do diagnóstico e compreender fatores que podem influenciar sua evolução ao longo dos anos.

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FONTE/CRÉDITOS: Gabriella Zavarizzi

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