A indústria brasileira da madeira entrou em uma nova fase de pressão sobre as exportações com a entrada em vigor das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos. A medida atinge o setor justamente em um momento de redução dos embarques e aumenta o desafio para empresas que dependem do mercado norte-americano.
A sobretaxa adicional de 25% passou a valer em 22 de julho para determinados produtos brasileiros, conforme as regras definidas pelos Estados Unidos. No caso de diversos tipos de madeira, o impacto pode ser ainda maior: esses produtos estão entre os itens sujeitos simultaneamente às medidas tarifárias e podem chegar a uma sobretaxa acumulada de 37,5%. (Serviços e Informações do Brasil)
O cenário preocupa porque as vendas brasileiras de madeira aos Estados Unidos já vinham perdendo ritmo. Levantamento da WoodFlow aponta que os dez principais produtos de madeira exportados pelo Brasil somaram US$ 855,2 milhões no primeiro semestre de 2026, abaixo dos US$ 929,5 milhões registrados no mesmo período de 2025. (Forbes Brasil)
Com o aumento do custo para o produto brasileiro chegar ao consumidor norte-americano, exportadores podem enfrentar perda de competitividade diante de fornecedores de outros países. A consequência tende a pressionar margens, dificultar novos negócios e aumentar a necessidade de encontrar alternativas para a produção que antes tinha os Estados Unidos como destino.
A reação do setor passa pela diversificação. Empresas brasileiras devem ampliar a procura por novos compradores internacionais, enquanto também ganham importância estratégias para agregar valor à madeira, desenvolver produtos diferenciados e ampliar as oportunidades no próprio mercado brasileiro.
Para a cadeia florestal, o momento exige atenção redobrada. A redução da dependência de um único grande mercado pode se tornar uma questão estratégica para produtores, indústrias e exportadores, especialmente diante de um cenário internacional marcado por mudanças frequentes nas regras comerciais.
A tarifa norte-americana, portanto, não representa apenas um obstáculo imediato às exportações. Ela aumenta a pressão para que o setor brasileiro encontre novos destinos e transforme a diversificação de mercados em uma estratégia permanente para manter competitividade e geração de renda.
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