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Segunda-feira, 21 de Setembro 2026
Saúde

10 perguntas e respostas sobre o sarampo

Saiba o que é o sarampo, quais são os principais sintomas, por que ele é tão contagioso e quem deve se vacinar. The post 10 perguntas e respostas sobre o sarampo first appeared on Portal Drauzio Varella.

Portal MAM News
Por Portal MAM News
10 perguntas e respostas sobre o sarampo
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O sarampo foi descrito pela primeira vez por um médico persa identificado como Rhazes, que viveu entre os anos 860 e 932. Na Idade Média, a doença se espalhou pela Europa e pela Ásia e, com a expansão colonial europeia para as Américas, a partir do século 16, chegou também ao Brasil. Um jornal do acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da Universidade de São Paulo (USP), relata que uma epidemia em Belém, no Pará (PA), entre 1748 e 1749, matou 15 mil pessoas.

​​Em 2016, após uma grande redução da transmissão, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a certificação de eliminação da circulação do vírus do sarampo. Alguns anos depois, porém, o vírus voltou a circular no país, e o Brasil perdeu a certificação após mais de 12 meses de transmissão. A reintrodução ocorreu em um cenário de baixas coberturas vacinais e fluxo migratório. Em 2024, o país recuperou a certificação, mas o avanço da doença voltou a ligar o sinal de alerta.

Diante desse cenário, o Portal Drauzio preparou uma matéria com perguntas e respostas sobre o tema. 

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1. O que é o sarampo?

O sarampo é causado por um vírus do gênero Morbillivirus, que carrega seu material genético na forma de RNA. E ele é minúsculo: mede cerca de 120 a 250 nanômetros de diâmetro. Para ter uma ideia da escala, uma bactéria E. coli tem cerca de 1 micrômetro de diâmetro, ou 1.000 nanômetros. Se ela fosse ampliada até atingir 100 metros de largura, o tamanho aproximado de um campo de futebol, o vírus do sarampo teria entre 12 e 25 metros, algo próximo do tamanho de um ônibus articulado.

Depois de ser inalado, o vírus infecta células do sistema imunológico presentes nas vias aéreas, especialmente células dendríticas e macrófagos. A partir daí, alcança tecidos linfoides, onde se multiplica, infecta outras células de defesa e ganha acesso à corrente sanguínea. Assim, consegue se espalhar para diferentes partes do organismo.

 

2. Quais são os sintomas do sarampo?

Os principais sinais e sintomas do sarampo, segundo o Ministério da Saúde, são:

  • febre alta, geralmente acima de 38,5 °C; 
  • manchas vermelhas na pele (exantema), que costumam surgir primeiro na cabeça e depois avançar pelo corpo em direção aos pés;
  • manchas de Koplik, que são pequenos pontos brancos que podem surgir na mucosa da boca;
  • tosse seca;
  • coriza; 
  • conjuntivite não purulenta (ou seja, sem presença de pus ou secreção espessa nos olhos).

Veja também: Bolinhas no corpo? Entenda as diferenças entre sarampo e catapora

 

3. Por que o sarampo é tão contagioso? 

Uma pessoa com sarampo pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas próximas dela que não estejam imunizadas, segundo o Ministério da Saúde. 

De acordo com Julio Onita, infectologista e coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital IGESP, em São Paulo (SP), uma das razões para a alta capacidade de transmissão do sarampo é a pequena quantidade de vírus necessária para provocar a doença.

“Existem doenças em que precisa-se de uma quantidade muito grande do agente infeccioso para que a pessoa tenha alguma manifestação. Com o sarampo, é exatamente o contrário. É uma doença muito contagiosa porque uma quantidade pequenininha de vírus pode causar a doença”, explica.

Outro fator que contribui para a disseminação, de acordo com o especialista, é que a pessoa infectada começa a transmitir o vírus cerca de dois dias antes do início dos sintomas. Como ainda não sabe que está com o vírus, mantém uma rotina normal, infectando pessoas suscetíveis.

 

4. Como é feito o diagnóstico do sarampo?

Para identificar o sarampo, o médico avalia os sinais e sintomas apresentados pelo paciente, como febre, manchas vermelhas na pele, infecção das vias aéreas e manchas no interior da bochecha, além do histórico de contato com pessoas infectadas e da situação epidemiológica.

Além da avaliação clínica, exames laboratoriais podem confirmar a infecção. Um deles é a sorologia, exame de sangue que procura anticorpos (proteínas produzidas pelo organismo contra o vírus). Outro é o RT-PCR, um teste laboratorial que procura diretamente o material genético do vírus.

 

5. Como funciona o tratamento do sarampo? 

Não há tratamento específico para o sarampo. O cuidado é feito com medicamentos sintomáticos, ou seja, para tratar os sintomas ligados à doença. Em torno de uma semana, segundo Onita, a pessoa já começa a ter a diminuição dos sintomas. 

“No entanto, o sarampo pode, em algum momento, em algumas poucas pessoas, complicar com infecções por bactérias logo na sequência. Nós chamamos essas bactérias de oportunistas, porque se aproveitam da situação de fragilidade causada pelo sarampo e começam a se manifestar. Aí, numa situação dessa, o médico vai e trata essa complicação”, esclarece.

 

6. Quem deve se vacinar e qual é o esquema de doses?

No Brasil, pessoas entre 12 meses a 59 anos de idade têm indicação para tomar a vacina contra o sarampo. O imunizante é oferecido de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. 

As doses dependem da faixa etária, segundo Sabrina Soares, infectologista do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ). 

“Entre 1 a 29 anos, todos devem ter duas doses da vacina. De 30 a 59 anos, pelo menos uma dose. Qualquer indivíduo que não tenha esse esquema documentado deve se vacinar. Em casos de surtos ou aumento de casos, podemos aumentar a cobertura vacinal com uma dose de reforço”, explica. 

 

7. Uma pessoa vacinada ainda pode ter sarampo? 

De acordo com Soares, nenhuma vacina é 100% eficaz. “Mesmo a do sarampo, que duas doses protegem mais de 95% das pessoas, podem sim existir indivíduos que não fizeram resposta vacinal protetora. Mas em caso de vacinação, sabemos que a doença geralmente é mais branda”, afirma. 

 

8. Todo mundo pode se vacinar contra o sarampo?

Não. A vacina é feita de vírus atenuados. Ou seja, elas usam versões vivas do vírus enfraquecidos em laboratório. “Então, ela é contraindicada para gestantes, menores de 6 meses, pessoas com imunossupressão e alergia aos componentes da vacina”, explica Soares.

No caso das gestantes, é precaução. Nos bebês, porque os anticorpos maternos podem interferir na resposta à vacina. No caso dos imunossuprimidos, existe preocupação de que o sistema imunológico da pessoa não consiga controlar adequadamente a replicação do vírus vacinal. Por isso, elas precisam ser avaliadas individualmente antes da vacinação.

Veja também: Quem deve tomar a vacina contra o sarampo

 

9. Por que o sarampo é mais perigoso para crianças?

Segundo Onita, as crianças menores têm maior risco de complicações porque seu sistema imunológico ainda está em processo de maturação e não consegue conter o vírus com a mesma eficiência que o de um adulto.

Além disso, elas ainda podem não ter recebido todas as doses da vacina, que estimula a formação de células de memória e prepara o organismo para responder ao vírus.

Algumas das complicações que podem surgir são pneumonia, otite e encefalite. De acordo com o Ministério da Saúde, em crianças, cerca de 1 em cada 20 desenvolve pneumonia, e entre 1 e 4 a cada 1.000 podem ter encefalite. 

A doença também pode levar à morte: estima-se que 1 a 3 em cada 1.000 crianças com sarampo morram por complicações.

 

10. Quem já teve sarampo está imune? 

Sim. Segundo os especialistas, a infecção do vírus do sarampo gera ativação do sistema imunológico e produção de anticorpos de memória que previnem novas infecções. É como se eles registrassem exatamente como lidar com o inimigo. 

“É por isso que existe aquela história de que quem já teve sarampo uma vez não pega mais. A não ser que, em algum momento, esses anticorpos caiam, tanto em qualidade quanto em quantidade, em situações em que a imunidade de uma maneira geral cai, como quando a gente tem um transplante ou faz quimioterapia”, explica Onita. 

 

Desafios no combate à doença persistem

O Brasil, no passado, chegou a perder a certificação de eliminação da circulação do vírus do sarampo porque o vírus voltou a circular no país. “Com a circulação de pessoas através de migrações e viagens, voltamos a ter casos no Brasil”, conta Soares.

Em 2024, porém, o país recuperou a certificação de eliminação da circulação endêmica do vírus do sarampo. Mas o cenário continua sendo desafiador.

O país também não tem conseguido atingir a meta de cobertura vacinal. Nos últimos anos, o movimento antivacina também ganhou força no Brasil e no mundo, o que gerou dúvidas em relação à eficácia desses imunizantes, que já salvaram mais de 150 milhões de vidas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A luta contra o sarampo, segundo Onita, deve continuar usando a mesma ferramenta que vem mostrando resultados: a vacinação em massa.

“A partir do momento que nós começamos a vacinar as pessoas, o vírus do sarampo já começa a diminuir em termos de abrangência. Ele começa a infectar menos pessoas e, consequentemente, sua circulação também diminui. A estratégia adotada lá atrás não muda em relação à estratégia que pode ser adotada hoje novamente”, conclui.

Veja também: Sarampo volta a preocupar o mundo: entenda os riscos

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FONTE/CRÉDITOS: Lucas Gabriel Marins

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