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Sexta-feira, 18 de Setembro 2026
Saúde

Agentes de saúde: conheça Solange Maria, cearense com três gerações da família na profissão

Solange Maria é agente de saúde há quase 30 anos e chama atenção para a necessidade de um programa de atendimento psicológico para os profissionais. The post Agentes de saúde: conheça Solange Maria, cearense com três gerações da família na profissão first appeared on Portal Drauzio Varella.

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Por Portal MAM News
Agentes de saúde: conheça Solange Maria, cearense com três gerações da família na profissão
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Solange Maria Lima Lacerda Silva, 60 anos, é agente de saúde no município de Tauá (CE) há 27 anos. Filha de agricultores, a cearense passou a infância entre atividades da roça e a escola. “Fiz até o quarto ano direitinho, porque era até onde a escola da região ia, então fiz o quarto ano três vezes para não perder a oportunidade de estudar. E só com 14 anos é que eu vim para Tauá para cursar o quinto ano. Aí fiz até o terceiro ano do segundo grau, já sendo mãe e constituído família. Tenho dois filhos”, conta.

Ela acabou postergando o sonho da graduação para cuidar dos filhos e só pouco mais de 20 anos após ter concluído o ensino médio foi que prestou o Enem e passou em pedagogia na Universidade Estadual do Ceará (Uece). Solange trabalhava durante o dia como agente comunitária de saúde e fazia universidade à noite. Depois, fez especialização na área e chegou a trabalhar também como professora do ensino fundamental. Mas foi no dia a dia como agente de saúde que ela se encontrou.

“Fui selecionada pra ser agente de saúde no ano de 1996. Estava com dois anos que eu estava morando no território. Para mim foi algo desafiador participar dessa seleção porque era uma das poucas concorrentes que não tinha aquele vínculo familiar no bairro. Quando cheguei, já fui participando dos grupos, tomando parte na comunidade. Comecei a participar do associativismo na comunidade, do grupo da pastoral da criança, já orientando as mãezinhas no processo de gravidez, pós-parto, tudo isso.”

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Três gerações de agentes de saúde

Outra coisa que levou Solange a ser agente de saúde foi o fato de sua mãe também ter trabalhado como agente, mas numa época em que a função não era reconhecida. 

“Acompanhei muito a minha mãe e isso me estimulou. Juntou isso com a inserção na comunidade e a necessidade que tinha de ajudar na criação dos meus filhos, porque também desejava ser uma cidadã, uma pessoa autônoma, que pudesse me manter, que não vivesse só na dependência do outro. Até para ser exemplo para os meus filhos”, afirma. 

Solange chegou a ser colega da mãe, que atualmente está aposentada, e agora é colega da filha. São três gerações de agentes de saúde.

E muita coisa mudou no trabalho dessas três gerações. “Quando comecei a trabalhar, o interesse maior era diminuir a morte neonatal das crianças, prevenir e até tratar a desidratação causada pelas diarreias e hoje a gente já está trabalhando o oposto, até questões de obesidade, drogas, diabetes e hipertensão.”

Veja também: Saúde infantil: como os Agentes de Saúde ajudam?

 

Conexão com a comunidade e esgotamento mental 

O território que Solange trabalha, no cinturão da cidade de Tauá, também possui uma área quilombola. Atualmente ela cuida de cerca de 289 famílias, o que totaliza algo em torno de 522 pessoas. 

“Considero o trabalho do agente de saúde um trabalho de conexão, principalmente entre a comunidade e o sistema de saúde, mas não só. Somos nós que conhecemos a cozinha da mamãe, somos nós que conhecemos o quartinho do bebê, somos nós que temos elo com a comunidade. E sabemos também das dores, alegrias, participamos das festas, e querendo ou não, nós somos parte da família. Então, nós temos apego com eles e, muitas vezes, eles não procuram, inicialmente, uma unidade de saúde, eles recorrem a gente via telefone, batem na porta, gritam na rua, é assim.”

Essa conexão íntima entre agentes de saúde e as famílias dos seus territórios tem uma consequência para os agentes que ainda é subestimada e pouco trabalhada: o esgotamento mental. Solange ainda sente muito isso. 

“Muitas vezes, a gente se pega pensativo, tristonho, porque, muitas vezes, a gente não consegue deixar o problema do nosso vizinho, ele passa a ser da gente, porque a gente sente com ele. Então, já cheguei para os gerentes da nossa unidade falando sobre isso, que o cuidador também precisa de cuidado. Tem questões que mexem muito com a gente, como a da violência sexual, por exemplo. Eu, pelo menos, compartilho um pouco das minhas dores com a psicóloga da nossa unidade. Ela sempre me apoia quando preciso. Mas não é um serviço que se oferece ao trabalhador”, relata. 

Os territórios são vivos e dinâmicos como as pessoas que vivem neles, e Solange sabe que é preciso se reinventar todo dia, mas também que isso pode ter um custo psicológico alto para o agente de saúde. “Caso contrário, é outra mãe voltando doente para casa.”

 

Assista ao documentário Drauzio e os Agentes:

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FONTE/CRÉDITOS: Dafne Sampaio

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