O infarto é a principal causa de morte no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. São 300 mil a 400 mil casos por ano no país, com um óbito a cada 5 a 7 casos. O atendimento de urgência, porém, é fundamental para ajudar a salvar vidas.
Quem já passou por um infarto têm risco elevado de sofrer um novo evento cardiovascular quando comparado a quem nunca infartou antes. Esse risco é particularmente importante nos primeiros meses e durante o primeiro ano após o episódio.
“Isso ocorre porque, depois do primeiro infarto, sabemos que aquele indivíduo apresenta uma doença coronariana já manifestada clinicamente. Em outras palavras, ele entrou em uma fase mais avançada da doença e, por isso, passa a necessitar de medidas de prevenção muito mais intensivas”, afirma Luiz Antonio Cesar, cardiologista e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Por isso, é essencial adotar cuidados para prevenir um novo infarto. Segundo o especialista, o tratamento medicamentoso associado a mudanças no estilo de vida e ao controle rigoroso dos fatores de risco pode reduzir de forma expressiva o risco de novos eventos cardiovasculares.
Cuidados necessários após um infarto
Além de tratar o próprio infarto, é preciso identificar e controlar intensivamente todos os fatores de risco cardiovascular, como controlar adequadamente a pressão arterial, tratar o diabetes quando presente e reduzir de maneira expressiva o colesterol LDL.
De acordo com o médico, depois de um infarto, o paciente passa a ser considerado de risco cardiovascular muito elevado e, pelas recomendações atuais, deve-se buscar um LDL abaixo de 55 mg/dL.
“Para alcançar esses objetivos, dispomos atualmente de diferentes estratégias terapêuticas que, associadas às mudanças de estilo de vida, permitem reduzir significativamente o risco cardiovascular e, consequentemente, diminuir a probabilidade de um novo infarto. Uma parcela importante desses pacientes é submetida ao cateterismo cardíaco, frequentemente seguido de angioplastia com implante de um ou mais stents nas artérias coronárias. Nessa situação, é necessário utilizar medicamentos que atuam sobre as plaquetas, os chamados antiagregantes plaquetários, para reduzir o risco de formação de um trombo no interior do stent recém-implantado. A trombose do stent pode provocar nova oclusão da artéria e, consequentemente, um novo infarto”, detalha ele.
Além de usar corretamente as medicações prescritas, o paciente também precisa avaliar seu estilo de vida e ajustar aquilo que não estiver adequado. Isso pode incluir:
- reduzir o peso, quando necessário;
- manter uma alimentação saudável;
- abandonar o tabagismo, se for fumante;
- incorporar atividade física regular, de maneira orientada e compatível com sua condição clínica.
O cardiologista destaca que uma parcela significativa das pessoas que sofrem infartos desconhecem ter qualquer problema cardiovascular. “No entanto, estatísticas clínicas apontam que cerca de 20% a 25% delas já apresentava fatores de risco e algumas inclusive já haviam procurado atendimento médico anteriormente por dor no peito. Nesses casos, a orientação médica associadas à mudanças no estilo de vida ganha mais importância”, reforça.
Veja também: Como controlar os níveis de colesterol?
Como fica o acompanhamento médico depois do infarto
Depois de um infarto, um dos pontos fundamentais do acompanhamento é reavaliar a função do músculo cardíaco, verificando como ficou sua capacidade de contração após o evento. “Essa avaliação, geralmente realizada pelo ecocardiograma, pode ser repetida em torno de dois a três meses, especialmente quando houve comprometimento da função ventricular no período agudo”, explica Cesar.
Além disso, é importante verificar se os fatores de risco (colesterol, pressão arterial, diabetes) estão sendo efetivamente controlados, além de avaliar os hábitos e estilo de vida (tabagismo, alimentação, peso, atividade física).
Segundo o especialista, uma primeira reavaliação clínica e laboratorial nas semanas seguintes permite verificar se as metas estão sendo alcançadas e, quando necessário, ajustar o tratamento. O paciente, inclusive, pode sair do hospital já com orientação para retomar progressivamente a atividade física, conforme sua condição clínica.
“A orientação atual não é permanecer deitado ou inativo por períodos prolongados. Após um período inicial curto de recuperação, inclusive relacionado ao local de acesso do cateterismo e da angioplastia quando realizados, deve-se estimular a recuperação progressiva da atividade física. Programas de reabilitação cardiovascular, quando disponíveis, são particularmente úteis”, recomenda.
O segundo infarto é mais grave que o primeiro?
Não necessariamente. Mas pode ser, principalmente quando há demora no atendimento ou se uma nova área do coração for comprometida. Cesar explica que nessa situação pode ocorrer uma soma das áreas de perda de músculo cardíaco provocadas pelos dois eventos.
“Quanto maior a quantidade de músculo cardíaco perdida, maior a possibilidade de comprometimento do funcionamento do coração. Isso pode afetar tanto sua capacidade de contrair e bombear o sangue adequadamente quanto sua capacidade de relaxar e receber o sangue entre os batimentos. Como consequência, o paciente pode evoluir para insuficiência cardíaca, uma das complicações importantes após um infarto, sobretudo quando houve uma lesão extensa ou quando não foi possível restabelecer o fluxo sanguíneo em tempo adequado”, conclui o cardiologista.
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