Carros com poucos botões físicos é uma tendência que foi popularizada pela Tesla e por marcas chinesas. No entanto, a indústria automotiva pode ter passado dos limites quanto a digitalização de comandos. É o que afirma Ola Källenius, CEO da Mercedes-Benz, em entrevista divulgada pelo site Autocar.
“A indústria como um todo pode ter ido um pouco longe demais em direção aos controles digitais”, admite Källenius. O executivo explica que as telas sensíveis ao toque em carros podem continuar crescendo nas cabines dos carros futuramente e acredita que a indústria não atingiu o seu pico de uso. “Não sei se atingimos o auge das telas, mas estamos na fase inicial de baixa utilização de botões.”
Assim como seus concorrentes premium, a montadora alemã introduziu, nos últimos anos, grandes telas sensíveis ao toque em seus carros, em detrimento dos botões físicos. Uma das marcas desse avanço é a tripla tela chamada de MBUX Hyperscreen, cujo tamanho pode chegar a 1,41 m de largura em alguns modelos.
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Telas mais intuitivas; mas será que são necessárias?
Källenius detalha que a companhia tem aprimorado o desenvolvimento de telas, principalmente para que sejam mais intuitivas e simples de utilizar. “Dedicamos inúmeras horas à interface do usuário. Passo horas todos os anos discutindo isso com nossos engenheiros e brincamos que precisa ser tão fácil que tanto uma criança de cinco anos quanto um membro do conselho da Mercedes consigam usá-la. Esse é o obstáculo, e uma vez que você se familiariza com ela, torna-se algo natural”.
Em outro ponto da entrevista, o CEO da Mercedes reconheceu que, muitas vezes, a montadora desenvolve a tecnologia, sem ouvir os seus consumidores. “Às vezes, nos precipitamos um pouco e investimos em tecnologia pela tecnologia em si, talvez nos esquecendo um pouco do cliente. Portanto, de agora em diante, vocês verão que reintroduzimos os botões mais práticos.”
<span class="hidden">–</span>Divulgação/Mercedes-Benz
China recua nos botões físicos
No começo de 2026, a China decidiu frear a digitalização excessiva nos carros e exigir a volta dos botões físicos em funções vitais de segurança. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação do país propôs normas para garantir que comandos essenciais não fiquem escondidos em menus de telas sensíveis ao toque.
Com a regulamentação, itens como luzes de direção, pisca-alerta, seletores de marcha e chamadas de emergência precisam de controles físicos dedicados. O governo chinês estabeleceu que esses botões devem ter uma área mínima de 10 mm por 10 mm. O objetivo é permitir o acionamento direto, sem que o motorista precise navegar por submenus ou desviar o olhar da via durante a condução.

