O Ministério da Saúde anunciou, no último dia 27, durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro (RJ), que vai solicitar a incorporação da PrEP injetável de longa duração para a prevenção do HIV no SUS.
Para que um medicamento ou tecnologia seja incorporado ao SUS, é preciso que o Ministério da Saúde faça a solicitação à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável pela aprovação. A comissão deverá analisar a proposta de incorporação em agosto.
Veja também: PrEP e PEP: como funcionam os medicamentos que protegem da infecção do HIV?
“O Brasil quer incorporar novas tecnologias de prevenção do HIV porque elas podem ampliar as possibilidades de cuidado e oferecer alternativas para pessoas que enfrentam dificuldades de adesão ao uso diário da medicação”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o evento.
Profilaxia Pré-Exposição ao HIV
A PrEP, a profilaxia pré-exposição ao HIV, é uma estratégia composta por medicamentos antirretrovirais que pode ser utilizada por qualquer pessoa para evitar a infecção em caso de exposição ao vírus.
Existem duas modalidades de PrEP, oral e injetável. A PrEP oral diária está disponível no SUS desde maio de 2017; a injetável foi aprovada pela Anvisa em 2023, mas está acessível apenas na rede privada a um custo de aproximadamente 4 mil reais.
A PrEP, tanto oral quanto injetável, pode chegar a até 99% de proteção contra o HIV, se tomada de maneira correta. É importante ressaltar que a PrEP não protege contra as demais infecções sexualmente transmissíveis.
PrEP oral
A PrEP oral envolve o uso diário de comprimidos que contêm antirretrovirais, como o tenofovir e a entricitabina. É indicada para qualquer pessoa que esteja vulnerável ao HIV.
Para começar a usar a PrEP através do SUS, o paciente deve procurar um serviço de saúde para saber se tem indicação para o uso dessa terapia. Veja a lista de serviços de saúde que disponibilizam a PrEP oral aqui.
No SUS, os médicos priorizam a prescrição da PrEP para pessoas que estão mais vulneráveis a ter contato com o vírus HIV e que fazem parte dos seguintes grupos:
- Homens gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens;
- Pessoas trans (mulheres transexuais, travestis, homens trans e pessoas não binárias);
- Profissionais do sexo ou pessoas que eventualmente recebam dinheiro ou benefícios em troca de serviços sexuais;
- Pessoas que estejam se relacionando com uma pessoa vivendo com HIV (casais sorodiferentes).
Existem duas modalidades de PrEP indicadas: a PrEP diária e a PrEP sob demanda.
- PrEP diária: consiste na tomada diária dos comprimidos, de forma contínua, indicada para qualquer pessoa em situação de vulnerabilidade ao HIV;
- PrEP sob demanda: consiste na tomada da PrEP somente quando a pessoa tiver uma possível exposição de risco ao HIV. Deve ser utilizada com a tomada de 2 comprimidos de 2 a 24 horas antes da relação sexual, + 1 comprimido 24 horas após a dose inicial de dois comprimidos + 1 comprimido 24 horas após a segunda dose. A PrEP sob demanda é indicada para pessoas que tenham habitualmente relação sexual com frequência menor do que duas vezes por semana E que consigam planejar quando a relação sexual irá ocorrer.
PrEP injetável de longa duração
A PrEP injetável de longa duração é uma alternativa ao uso diário de comprimidos. Existem duas drogas com esse propósito, o cabotegravir, que deve ser aplicado a cada dois meses, e o lenacapavir, que deve ser injetado a cada seis meses.
No Brasil, apenas o cabotegravir foi aprovado pela Anvisa em 2023 e está disponível apenas na rede privada. É o acesso a esse medicamento que o Ministério propôs à Conitec. O lenacapravir ainda não está disponível no país.
A vantagem da PrEP injetável sobre a oral é a forma de administração, que facilita a adesão, principalmente entre os mais jovens.
Lenacapavir
O remédio injetável, desenvolvido pela farmacêutica norte-americana Gilead Sciences, protege as pessoas contra o vírus por cerca de seis meses com apenas uma aplicação subcutânea. Dois grandes estudos publicados em 2024 mostraram eficácia entre 96% e 100% — o que, segundo especialistas, é bastante alto.
Apesar de sua relevância no combate a um dos maiores problemas globais de saúde pública, os brasileiros ainda enfrentam barreiras de acesso ao lenacapavir (ou a genéricos).
Ainda que o Brasil seja referência no combate ao HIV ao longo das últimas décadas, as negociações para que o lenacapavir chegasse ao país demoraram.
O primeiro pedido feito pela Gilead à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi feito em novembro de 2024 e solicitava a aprovação do lenacapavir como tratamento de pacientes que convivem com HIV, já utilizaram outras classes de antivirais e apresentam resistência aos medicamentos. O segundo, realizado em março de 2025, pedia a sua aprovação como profilaxia pré-exposição (PrEP) para pessoas maiores de 12 anos de idade, com peso acima de 35 kg, que não convivam com o HIV e tenham teste negativo para o vírus.
Os dois pedidos passaram por avaliação prioritária da Anvisa, considerando a importância epidemiológica do tema. A aprovação veio no início de janeiro deste ano.
No entanto, há ainda um grande impeditivo para o acesso ao lenacapavir no país: o preço. Hoje, o tratamento para prevenção custa entre 25,4 mil dólares por pessoa ao ano (cerca de 136 mil reais) e 44,8 mil dólares (R$ 241 mil) por ano nos Estados Unidos,
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