A Volkswagen está alterando sua estratégia global de atuação e passará a exportar tecnologias e veículos desenvolvidos na China para o mercado sul-americano. QUATRO RODAS apurou que há estudos avançados para a importação de modelos compactos de origem asiática ao Brasil.
Ao mesmo tempo, a agência Reuters relata que a Volkswagen anunciou o plano de desenvolver na China uma nova geração de modelos destinados para os mercados emergentes. Estes carros serão feitos com as arquiteturas Compact Main Platform (CMP) e China Electronic Architecture (CEA). Os primeiros veículos serão lançados na América do Sul até o fim da década.
<span class="hidden">–</span>Divulgação/Volkswagen
Por que a Volkswagen quer trazer carros da China ao Brasil?
A decisão busca reduzir os custos de produção e acelerar o desenvolvimento tecnológico para enfrentar o avanço das próprias montadoras chinesas no mundo. Segundo o CEO global da marca, Oliver Blume, o plano deixa de ser apenas uma operação voltada ao consumidor local e passa a ter o país asiático como um verdadeiro polo de inovação e engenharia para regiões emergentes, em um movimento batizado internamente de “Na China e além”.
A América do Sul foi escolhida como o primeiro destino internacional dessa nova leva de produtos por ser um território altamente sensível a preços, onde rivais já operam com força. Os futuros compactos importados utilizarão a nova arquitetura eletrônica desenvolvida pelo centro de pesquisa em Hefei, na região leste do país, que foi estruturada em parceria com novos fornecedores de tecnologia locais.
<span class="hidden">–</span>Divulgação/Volkswagen
O movimento acontece em resposta direta à perda de participação de mercado na China para fabricantes como BYD e Geely, que adotam uma agressiva guerra de preços e volume entre os veículos elétricos. Para tentar recuperar o espaço técnico e diluir os pesados custos, a fabricante alemã pretende transformar a sua outrora mina de ouro oriental em uma base eficiente de exportação de engenharia para países do chamado Sul Global.
A marca, que passa por sua maior reestruturação industrial em 89 anos, tem ampliado as parcerias estratégicas com empresas de software, como Xpeng e Horizon Robotics. O objetivo principal é criar carros definidos por software de maneira rápida, já que executivos indicam que o formato adotado no desenvolvimento asiático pode encurtar o tempo de criação de um novo produto do zero ao lançamento nas lojas em até 30%.
Como a falta de estepe afeta o projeto para o mercado brasileiro?
Os carros desenvolvidos inicialmente para o consumidor chinês não costumam prever espaço físico no porta-malas para o pneu sobressalente, item que ainda é essencial para os motoristas brasileiros devido à condição geral das nossas vias. Essa ausência estrutural nos compactos que estão sob análise exige modificações profundas, como uma readequação no assoalho traseiro para fins de homologação e aprovação local.
<span class="hidden">–</span>Jetta/Divulgação
De acordo com bastidores da operação, os veículos destinados ao mercado sul-americano poderão vir de uma das três joint ventures que a montadora mantém com sócios chineses, ou até mesmo da sua própria base independente no país. Além das carrocerias da linha Volkswagen convencional, a empresa também avalia a exportação de automóveis mais acessíveis da submarca Jetta para os territórios africanos e latinos.
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Para o futuro, a fabricante revelou que essa ofensiva exportadora integrará a arquitetura chamada VEGA. Trata-se de um conjunto focado em eletrificação e software pesado que prevê sistema de recarga ultrarrápida de 850 volts, além de preparação para condução autônoma de nível 3. A previsão oficial é que as novidades desta arquitetura eletrônica cheguem ao mercado internacional de forma plena a partir do ano de 2027.
